E diz que um dia termina 2018 ...
Eu quase não escrevi nada porque o ano não mereceu ... Mas tem uma ou duas pessoas que insistiram ... Dizem que serviria pra tal da catarse.
Não ia escrever nada mesmo assim (afinal ninguém manda em mim e quando tentam ... minha reação, geralmente, é fazer o contrário só pra espizinhar).
Mas minha irmã fez uma brincadeira hoje no almoço com as crianças ... Onde elas precisavam agradecer algo de bom que aconteceu esse ano ... Todas falaram de coisas divertidas, de estarem na praia, de estarem com os priminhos, de terem ganho presente de natal. Foi então a vez dos adultos: família, amizade, continuar amigo.
E então a bola veio pra mim ... E a única coisa que consegui lembrar foi que fiquei agradecido por ter aberto o airbag lateral no último acidente ... Nem por estar vivo eu consegui agradecer direito ... Foi o bendito airbag.
Então esse ano foi brabo, dose, dificil, trágico; em resumo, filha da puta mesmo.
Perder os 2 avós que restavam; as mudanças em casa; eleição que foi um desastre pro que eu acredito e luto; quase morrer com 2 acidentes de carro;
dívidas em cima de dívidas por causa de ter batido os carros; pessoas que entram em nossa vida e não entendem; pessoas que entendem, mas não conseguem entrar na nossa vida; voltar a trabalhar mais e fazer plantões; insegurança pelos Mais Médicos; ansiedade; vontade de fugir, sumir, desaparecer; esperar o colo e perceber que ninguém estava podendo dar.
Tudo em menos de 12 meses ...
Mas teve algo positivo? Lógico ... Minha filha ... Amor da minha vida ... Razão por eu não estar desesperado.
Meu maior orgulho é ter sido um bom pai, entender e explicar uma das situações mais difíceis por que um filho passa. E conseguir que ela não percebesee que a coisa tinha apertado tanto foi uma das vitórias desse ano.
Aprendi muito, sobre mim e sobre resiliência, sobre ansiedade, sobre o viver no ontem e amanhã. Não pretendo dizer que assimilei as lições que deveria ... Mas sei quais são as lições que tenho que aprender.
Por isso ... 2018 um dia acaba ... Nem que seja no calendário chinês ... E que 2019 traga muita sabedoria, e entendimento, porque de lição eu estou cheio.
Feliz 2019.
Luz e paz.
Rogerio Luz Coelho Neto
Monday, December 31, 2018
Wednesday, June 6, 2018
Mudanças e o Cérebro Muquirana
Hoje
acabou a natação da minha filha, ela tem 8 anos e ,desde os 5,
vamos 2 vezes na semana nadar,
eu
e ela, e hoje tivemos várias mini despedidas. Me despedi de pôr o
maiô na pequena (pra mim ela ainda é pequena, tá?), da piscina, do
vestiário, de secar o cabelo dela, de gritar para sair do banho …
Pequenas coisas assim, mas que vou sofrer por parar de fazer.
Essa
vida que muda é muito foda!
A
gente fica se acostumando com nossa vidinha com nossas rotinas e
hábitos ... E de repente as coisas parecem que nem água
esquentando, entram em ebulição tudo ao mesmo tempo.
Nosso
ser clama por mudança, mas nosso cérebro é uma máquina de se
acostumar ... O cérebro faz de tudo pra economizar energia (afinal
consome 20% da nossa energia mesmo tendo apenas 2% do peso corporal).
Para ser efetivo o cérebro não pode ficar fazendo muitas conexões
novas. Essa habilidade de se adaptar que o cérebro tem (plasticidade
neural no jargão científico) custa muito caro. Aprender coisas
novas ou novas maneiras de fazer coisas, custa caro. O cérebro é um
bicho murrinha, muquirana, não quer gastar. E o que ele faz pra isso
acontecer? Ele te faz de trouxa! Faz parecer que nada muda, que tudo
é permanente, que o mundo fixo é uma regra absoluta.
Obviamente
que isso só pode levar a sofrimento, por mais que você,
inocentemente, deseje que as coisas não mudem, saiba que só existe
uma coisa que é absoluta: TUDO MUDA. A raiz do sofrimento é
nosso apego a essa ideia de imutabilidade do universo. Todo mundo
sabe disso, as grandes filosofias e religiões do mundo pregam isso
há (literalmente) milênios. Mas vai explicar pro desgraçado do teu
cérebro isso … O sovina não quer saber não … Quer tudo
percebido igualzinho para que não precise se mexer muito.
Existem
vantagens inegáveis a esse sistema. Por exemplo, no Brasil somos
ensinados a dirigir carros manuais. No começo é um sofrimento: pisa
na embreagem, pensa que lado fica a 3a, pisa no freio (antes piso na
embreagem? não! sim?) olha o retrovisor, mas rapidinho volta pra
frente, ufa! não bati em ninguém… depois de um tempo fica tudo
automático. Dirigir, jogar futebol, tricotar, digitar, correr, ver
as horas … tudo automatizado para que possamos gastar nossa energia
cerebral em outras coisas enquanto fazemos tudo isso sem pensar muito
(sim meninas, os caras também conseguem fazer outras coisas ao mesmo
tempo, mas geralmente usam esse tempo para pensar em futebol e sexo
mesmo).
A
economia de energia que conseguimos ao automatizar esses processos
mentais é tão brutal que o cérebro acha que o ideal é automatizar
tudo. O problema é que só automatizamos o que não muda. Que o diga
quem dirige pela primeira vez um carro automático.
A
grande pegadinha do cérebro é, então, fazer você pensar que NADA
MUDA! Assim ele automatiza tudo! Sua rotina ajuda muito a isso
acontecer: horários fixos, programas fixos, mesmas pessoas, mesmos
assuntos, mesmos posicionamentos. Tudo sempre te levando a crer que é
para sempre e que nada nunca mudará. Mais dos mesmos.
Agora
tem um problema que o cérebro ainda não aprendeu a lidar, e se
chama: "Realidade". E quando confrontado com ela, o cérebro
(que é um cara inteligente), acaba tendo que perceber a
incongruência com suas preparações e começa a ter que gastar uma
fortuna para readaptar a essa situação. Melhor pagar caro do que
mostrar que é falível, certo? Mas mesmo que o cérebro se adapte a
tudo (tem gente que escuta pagode japonês pelamordezeus!), essa
adaptação não é imediata. E aí que entra o sofrer. Até que você
consiga considerar a nova situação normal (eita cérebro
maquiavélico) você não consegue lidar com ela de forma automática,
saiu da sua zona de conforto … e todos sabemos que se sair de zona
de conforto você estará sofrendo, sem excessão!
Toda
mudança dói.
Você
não vai perceber o que você se acostumou a não perceber até que
aquilo venha e te dê um bom chute no traseiro.
Não
tem como escapar disso.
Relaxe
… isso é a condição humana.
Se
treine para aceitar o mais rápido possível as mudanças. Muitas
vezes isso significa diminuir o ritmo, ter visão significativa
(procurando significado) e periférica (olhar em volta e ver as
flores!); realmente ver, olhar, escutar, cheirar e sentir as coisas.
Os sentidos e as emoções vem de outra parte do seu sistema nervoso,
mais primal, mais em contato com o bicho que existe na gente, pronto
para fugir ou lutar. Use sensações e emoções com sabedoria e vai
ser um gigantesco aliado nessa vida.
Se
dar bem com mudanças exige muito da pessoa, exige coragem desmedida.
Difícil a pessoa ser corajosa a ponto de mudar sem sofrer, sem
sentir que faltou chão. O bom é que coragem não tem limite, não
se esgota, e como todo bom músculo, quanto mais se usa, melhor fica
de usar da próxima vez. O mais legal de coragem é que: ser corajoso
e se fingir de corajoso é a mesma coisa!
Se
não se acha corajoso, finja!
E
a natação? Bom, sabendo de tudo isso, fiz o que pude. Escrevi esse
texto, me despedi de certas coisas (do jeito que deu!), senti
saudades antecipadas e apanhei para dormir, mas estou fingindo ter
coragem, né? e agora esperar que o cérebro desgraçado se acostume
com essa nova realidade … até haver outra mudança né? … aí
começa tudo de novo!
E
vamos em frente. Mudando sempre!
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